Confronto de bandidos com policiais deixa um saldo de dez assaltantes mortos no interior de SP









Sobe para 10 o número de suspeitos mortos em confrontos com a polícia após invasão do shopping Serramar, em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, na madrugada do último sábado (15). Fortemente armada, a quadrilha entrou no centro de compras, rendeu seguranças, explodiu seis caixas eletrônicos e furtou três lojas.

As mortes ocorreram em Caraguatatuba e em Biritiba Mirim, na região de Mogi das Cruzes. Os bandidos fugiram para uma área de mata fechada, próxima ao shopping, mas se perderam ao pegar uma estrada de terra sem saída, onde foram encurralados pela polícia. Na segunda-feira (17), quatro bandidos já haviam sido mortos após troca de tiros com a PM.

Desde sábado, policiais do litoral norte, da Força Tática de São José dos Campos, do COE (Comando de Operações Especiais) de São Paulo, da Polícia Civil e Ambiental, além de um helicóptero Águia, iniciaram uma caçada aos criminosos. O primeiro confronto desta terça-feira (18) ocorreu por volta das 6h30 da manhã, quando parte do bando foi surpreendida por policiais do COE embrenhados na mata.

Segundo o coronel Cassio Armani, da Polícia Militar, os criminosos resistiram à ordem de prisão e atiraram contra os policiais. Na troca de tiros, três dos bandidos foram baleados e chegaram sem vida ao pronto-socorro.

Em Biritiba Mirim, eles foram cercados pela PM. Após horas de negociação, dois bandidos se entregaram, mas outros dois resistiram e foram mortos. Nesta ação, dois policiais militares também foram atingidos pelos tiros nas pernas, mas passam bem.

Até às 13h desta terça-feira, o saldo do quarto dia de operação era de nove criminosos mortos (sete em Caraguatatuba e dois em Biritiba Mirim), quatro presos e dois PMs atingidos por tiros. Por volta das 18h, a polícia informou que um décimo bandido havia sido morto após nova troca de tiros. Não foram divulgadas informações sobre essa última morte.

Ação "cinematográfica"

Em coletiva nesta tarde, as polícias civil e militar confirmaram que pelo menos R$ 160 mil já foram recuperados com a quadrilha. Quando estouraram os seis caixas eletrônicos, os ladrões nem imaginavam que seriam monitorados pelas próximas setenta e duas horas, numa operação que mobilizou 460 policiais.
O investigador José Maria Vilas, que participou do cerco, disse só ter visto cenas assim em filmes de cinema.

— Tenho vinte anos de polícia e nunca vi nada igual. O poder de fogo deles era impressionante.

Em 22 km de perseguição, a realidade ganhou mesmo toques de ficção. Com fuzis e pistolas, os ladrões, numa Kombi, atiravam contra os carros da polícia e pareciam vencer o confronto. Tudo em meio a vilarejos e comunidades, às margens da rodovia SP-88.

Na chegada a Biritiba Mirim, uma carreta que levava madeira foi usada pela polícia para bloquear a estrada. Os assaltantes entraram na contramão, perderam o controle do veículo e bateram contra um barranco. Desceram revidando e se refugiaram no mais improvável lugar para uma troca de tiros: o destacamento da Polícia Militar. Foi ali que fizeram uma cozinheira refém. No confronto, um dos suspeitos acabou morto.

Do alto ou do chão, a imagem era de cercos policiais, medo e tensas negociações. Uma casa foi invadida por um dos assaltantes. O morador foi feito de escudo, entre o fuzil do ladrão e os homens da Polícia Militar. Três horas depois, o assaltante decidiu se render. Para uma cidade de trinta mil habitantes, um susto sem tamanho, como expressa o agricultor Euripede Souza, que passava de bicicleta ao lado de uma das viaturas perfuradas por tiros de fuzil.
—Eu só dormia com a porta aberta. Agora vou trancar.

Armas apreendidas

Além do dinheiro, cinco armas, dois fuzis foram apreendidos pela polícia, que recuperou também relógios e celulares furtados do shopping. As buscas continuam aos outros bandidos foragidos. Segundo a delegada seccional do litoral norte, Nilze Batista Scapulatiello, os vigias do centro de compras já foram ouvidos e reconheceram os bandidos mortos.

— Decretei a prisão temporária por cinco dias dos homens que foram presos e a Polícia Civil está em situação de alerta, afinal, a quadrilha teve 10 baixas e certamente sofreremos represálias.

Os cinco bandidos presos estão no Distrito Policial de Caraguatatuba, já que os agentes penitenciários do Centro de Detenção Provisória estão greve e todos os detidos do litoral norte estão sendo mantidos no DP. A Polícia Civil também teme uma possível invasão do distrito para resgate de presos.

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